segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

ALMA PRISIONEIRA

“Talvez seja utopia, mas se eu não deixar que se embote a minha sensibilidade, quando envelhecer, em vez de estar ressequida eu terei chegado ao máximo exercício de meus afetos”. (Lya Luft)

O dia-a-dia muitas vezes é massacrante. Ficamos tão absortos nos assuntos de trabalho e nas inúmeras providências que temos que tomar, que facilmente perdemos o lirismo e a conexão com as coisas que acredito serem as mais importantes da vida.

Tenho sentido falta de momentos de reflexão, de calma e de tranqüilidade durante meus dias. E minha alma reclama por isso.

Não quero que a correria me faça perder a sensibilidade, o cuidado com o outro, a alegria de conhecer e aprender com as diferenças.

Meu grande barato nessa vida é justamente esse. Conviver com outras pessoas e absorver o brilho e a escuridão de cada um, transportando isso para a minha vida e traduzindo em sentimentos melhores e ações mais conscientes.

Essa vida é uma teia muita bem construída, cheia de detalhes e desafios, nos colocando sempre à prova, nos ensinando com nossos erros passados, com nossas dificuldades e com as maldades dos outros. Tudo colocado ali, no lugar certo, para nos tornarmos pessoas melhores.

Tenho um sonho, desde muito nova, e nunca desisti dele, mas ele nunca aconteceu. Por conta disso fui me tornando uma pessoa mais humana, mais sensível, mais segura, mais verdadeira e mais eu.

Não entendo muitos caminhos dessa vida e em muitos momentos me questiono se algumas coisas simplesmente podem não estar destinadas a acontecer. Por mais que, com todas as forças, desejemo-las.

Começo a pensar que é exatamente esta sensação de frustração recorrente, minha lição mais difícil. E por mais que eu, na minha infinita ignorância sobre o sentido da minha vida, acredite que já aprendi muito com isso, sinto que não completei nem o primeiro exercício.

Minha alma sofre pela incapacidade de aprender mais rápido e poder ter o conforto que tanto busca. Isso lhe é negado veementemente. O que me faz crer que, meu grande desafio é aprender a conviver com minha solidão, que me expande e me aprisiona.

“Minha força está na solidão. Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem de grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite.” (Clarice Lispector)

2 comentários:

Acácia Lima disse...

Nossa, Gabi, PQP!!!

Caraca, nem sei o que dizer.

Beijos.

Maria Fernanda - Clave de Lua disse...

Gabi, minha amiga!
Tenho pena das pessoas que passam por você e não percebem a alma linda e intensa que vive aí dentro.

Saudades!!!!
Beijo beeeem grande!