Minha vida nunca foi muito certinha. Nunca consegui seguir aquele roteiro basicão que a gente aprende que é bacana e que é um modelo ideal. Até queria conseguir fazer tudo desse jeito, mas sou bem indisciplinada. Quando era mais nova queria ser cantora, depois psicóloga e me formei em comunicação. Sempre fui meio sonhadora e romântica, sempre quis um grande amor para a vida toda (olha o modelo aí!). Ainda não consegui.
Mas hoje acho que a vida até anda sendo bem generosa comigo. Tive a chance de conhecer tanta gente bacana pelo caminho. Mesmo sem ter grandes chances de viver histórias longas e mais profundas, daquelas construídas através dos grandes pequenos detalhes que fazem toda a diferença.
Acredito de verdade que a vida me ensina muito e que não conseguir as coisas do jeitinho que eu quero, significa que tenho coisas maiores para aprender.
Aprendi a ver a vida de uma maneira mais ampla, muito maior do que aquele roteiro básico e restrito.
Aprendi que mesmo em momentos fugazes, pode se aprender e entender sobre os outros e você mesmo. E que algumas pessoas simplesmente precisam de liberdade mais do que outras. Que algumas pessoas têm medos e inseguranças, que, mesmo você não entendendo e querendo ajudar, não cabe a você isso.
Aprendi que um roteiro mais alternativo pode ser tão mais interessante e enriquecedor, que pessoas que podem não ser tão “adequadas” dentro do seu contexto podem significar um contraponto tão mais divertido e oportuno. Mais lirismo e menos frescuras.
Não consigo e não quero ser básica, óbvia, restrita e pequena.
E isso eu aprendi com as portas que a vida me fechou e me fecha. Não foi e não é fácil. Em muitos momentos a solidão é bem cruel e respeitar a necessidade de liberdade dos outros é muito difícil. Mas como eu mesma prezo muito a minha, não tenho como viver de outra maneira.
Um dia ainda consigo juntar a minha liberdade com a de outra pessoa e ser feliz, de um jeito mais divertido e diferente. Sei que é possível!
"Entre mim e mim, há vastidões bastantes
para a navegação dos meus desejos afligidos.
Descem pela água minhas naves revestidas de espelhos.
Cada lâmina arrisca um olhar, e investiga o elemento que a atinge.
Mas, nesta aventura do sonho exposto à correnteza,
só recolho o gosto infinito das respostas que não se encontram.
Virei-me sobre a minha própria existência, e contemplei-a
Minha virtude era esta errância por mares contraditórios,
e este abandono para além da felicidade e da beleza.
Ó meu Deus, isto é a minha alma:
qualquer coisa que flutua sobre este corpo efêmero e precário,
como o vento largo do oceano sobre a areia passiva e inúmera..." (Cecília Meireles)
3 comentários:
Nossa, faz dois dias que você escreveu isso e eu só vi agora... sorry!
Um beijo :)
Olá, Gabriela!!!!
Vi o link do seu blog em um outro que estava lendo, e resolvi conferir o que você tem a dizer. E ADOREEEEEEEI!!!!! Muito bom o seu texto!!!! Me identifiquei demais com as suas palavras!!!!
Posso dizer que sou um pouco como você, pois apesar de ter uma certa disciplina nas coisas que faço, também tenho verdadeiro horror a modelos e padrões. Contraditório, né? Mas sou exatamente assim!!! (rsrsrs)
Nada me deixa mais chocada, triste - e até irritada, às vezes - do que isso. Acredito que a vida é bem mais interessante quando não se tem aquele roteiro basicão.
Afinal, viver é bem mais do que seguir padrões preestabelecidos. Mas é uma pena que ainda existam pessoas que pensem o contrário.
Já tive inclusive o desprazer de cruzar com pessoas assim no decorrer da minha vida, e digo: É CHATO PRA BURRO!!!!
Entender que as portas que a vida eventualmente nos fecha são uma grande maneira que Deus encontra de nos proporcionar ensinamentos e amadurecimento é algo que poucos conseguem, e me considero feliz por estar entre esses poucos "privilegiados".
Assim como você, sou romântica, prezo minha liberdade e, PRINCIPALMENTE, ACREDITO NO AMOR!!!! E sei que com certeza encontrarei alguém que pense da mesma forma e esteja pronto a compartilhar da liberdade comigo.
Então... PARABÉNS PELO TEXTO!!!! E pela sensibilidade também!!!! Abraço, Thalyta
Lindo seu texto. Linda a forma com a qual vc externa suas esperiências, seus sonhos, seus desejos. Com certeza não foi, e não é fácil, mas duas liberdades podem e hão de juntar!
Beijos...
Eduardo.
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